O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (16) a retomada das investigações sobre alegada interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal. A decisão atende a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), liderada por Paulo Gonet, que reviu posição anterior de arquivamento.
O inquérito havia sido iniciado após denúncias feitas pelo então ministro da Justiça, Sérgio Moro, que apontou pressão de Bolsonaro para trocar cargos de comando da PF, como o diretor-geral Maurício Valeixo, além de interferências nas superintendências do Rio de Janeiro e de Pernambuco.
Segundo o parecer da PGR, há indícios de que o ex-presidente buscava obter acesso privilegiado a investigações sigilosas, envolvendo ele mesmo, pessoas de seu círculo familiar e aliados políticos. Entre as provas citadas estão mensagens de WhatsApp onde Bolsonaro teria informado a Moro sobre a decisão da demissão de Valeixo, e ainda compartilhado uma matéria sobre possíveis investigações da PF contra deputados bolsonaristas.
Além disso, Moraes autorizou novas diligências e depoimentos no inquérito, solicitados pela PGR para que se apure com “maior amplitude” se de fato ocorreram interferências ou tentativas, inclusive por meio do uso da estrutura pública e de dados sensíveis.
Apesar de a Polícia Federal, em 2022, ter concluído que Bolsonaro não havia cometido crimes nessa suposta interferência, a mudança de entendimento da PGR motivou esta nova fase com olhar ampliado sobre os fatos.
A nova movimentação judicial reforça a importância de investigação transparente para avaliar possíveis abusos de poder e garantir que órgãos como a PF atuem com autonomia, sem influências indevidas do Executivo.
