Países latino-americanos têm adotado medidas para diminuir a carga horária semanal sem reduzir salários, enquanto o Brasil discute mudanças na escala 6×1.
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate político e econômico no Brasil, especialmente diante de experiências adotadas em outros países da América Latina. Na última década, nações como Chile, Colômbia e México aprovaram leis que diminuem o número de horas trabalhadas semanalmente, sem cortes salariais, reforçando pautas ligadas à qualidade de vida, saúde mental e produtividade.
A proposta em discussão no Brasil, que prevê o fim da escala 6×1 e a diminuição da carga horária semanal, acompanha um movimento regional observado em diversos países latino-americanos. Segundo especialistas e organismos internacionais, jornadas menores podem contribuir para melhores condições de trabalho e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Na Colômbia, a legislação aprovada em 2021 determinou a redução gradual da jornada semanal de 48 para 42 horas. O processo segue em implementação escalonada e foi aprovado ainda durante um governo conservador. Já no Chile, a mudança começou em 2023 e prevê a redução progressiva de 45 para 40 horas semanais até 2028. Em 2026, os trabalhadores chilenos passaram a cumprir 42 horas por semana.
O México também aderiu ao movimento. O país aprovou neste ano a redução da jornada máxima de 48 para 40 horas semanais, com implantação gradual prevista entre 2027 e 2030. A medida foi defendida pelo governo mexicano como forma de modernizar as relações trabalhistas e melhorar a qualidade de vida da população economicamente ativa.
Enquanto parte da América Latina caminha para jornadas menores, a Argentina seguiu direção oposta. O governo de Javier Milei flexibilizou regras trabalhistas e autorizou jornadas diárias de até 12 horas mediante acordos específicos entre empregadores e funcionários. A mudança gerou críticas de sindicatos e entidades ligadas aos trabalhadores.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda jornadas regulares próximas de 40 horas semanais, limite já adotado por países como Equador e Venezuela. No Brasil, o tema segue dividindo opiniões entre empresários, sindicatos e representantes do governo federal.
