A edição de 2025 do Mundial de Clubes da FIFA, com formato expandido para 32 equipes, tem sido encarada pela entidade como um verdadeiro ensaio geral para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada em conjunto por Estados Unidos, Canadá e México. O torneio, que se encerrou com a vitória do Chelsea sobre o Paris Saint-Germain por 3 a 0, foi estruturado para simular a logística, a operação de estádios e as transmissões necessárias para suportar a nova dinâmica da competição de seleções.
Durante o evento, surgiram alertas sobre altas temperaturas e condições dos gramados que colocaram à prova a capacidade de adaptação da organização. Jogadores como Enzo Fernández destacaram o calor, enquanto FIFPRO exigiu revisão no calendário dos jogos. Em resposta, a FIFA reconheceu a importância de investir em estádios com cobertura e controle climático, que serão utilizados em cidades como Atlanta, Dallas, Houston e Vancouver.
Arsène Wenger, chefe de desenvolvimento global, destacou que o torneio foi “mais acirrado do que o esperado” e elogiou o desempenho técnico das equipes, reforçando sua utilidade como instrumento de aprimoramento para o futebol de clubes e seleções. Além de testar infraestrutura, a competição também serviu de campo experimental para tecnologias, como o uso de câmeras corporais para árbitros — novidade prevista para ser aprimorada em compromissos futuros, incluindo a Copa de 2026.
A articulação dos estádios foi discreta, porém estratégica: locais como MetLife Stadium, Rose Bowl, Lumen Field e Mercedes‑Benz Stadium passaram por ajustes que contemplaram grama natural, conectividade 5G e sistemas de segurança aprimorados — medidas que já estarão em operação no Mundial de 2026.
Do ponto de vista político‑comercial, o evento acumula lições valiosas: aguçou negociações com autoridades locais, reforçou presença nos EUA — incluindo laços com o entorno da torre Trump em Nova York —, e antecipou protocolos de precificação de ingressos, mobilidade urbana e segurança de torcedores. Ao comparar a relevância do novo formato com o nascimento da Copa de 1930, Infantino reforçou a visão de que se trata de uma “nova era” no futebol, com escopo global e reconhecimento mundial.
Em resumo, o Mundial de Clubes é mais que um evento: é uma plataforma de testes que expôs fragilidades — como o impacto do calor extremo e a necessidade de gramados de qualidade — e reforçou avanços em tecnologia, estrutura e governança. As lições extraídas são essenciais para assegurar que as 48 seleções e os 104 jogos do Mundial de 2026 sejam realizados com eficiência, segurança e com experiência elevada para jogadores, torcedores e parceiros de mídia.
