Decisão judicial interrompe instalação de telões de LED no cruzamento das avenidas Ipiranga e São João.
A Justiça de São Paulo determinou a suspensão temporária do projeto Boulevard São João, iniciativa apelidada de “Times Square paulistana”, que previa a instalação de grandes painéis de LED no centro histórico da capital. A medida impede o início de obras e qualquer intervenção relacionada ao empreendimento até nova análise do caso.
A decisão foi assinada pela juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo. Segundo o entendimento da magistrada, o projeto possui grande impacto urbanístico e poderia causar danos à paisagem urbana antes da conclusão da análise judicial. A liminar também suspende os efeitos da aprovação feita pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU).
O Boulevard São João havia sido apresentado pela Prefeitura de São Paulo em parceria com a iniciativa privada como uma proposta de revitalização da região central da cidade. Inspirado na famosa Times Square, em Nova York, o plano previa a instalação de quatro grandes telões luminosos em prédios históricos localizados entre as avenidas Ipiranga e São João, um dos pontos mais conhecidos da capital paulista.
Além dos painéis de LED, o projeto incluía eventos culturais, apresentações artísticas e intervenções urbanísticas voltadas para a recuperação visual e turística da área. A proposta também previa melhorias em espaços públicos e restauração de patrimônios históricos próximos ao local.
A ação popular que levou à suspensão do projeto questiona possíveis conflitos com a Lei Cidade Limpa, legislação criada para reduzir a poluição visual em São Paulo. Entidades urbanísticas e representantes da sociedade civil argumentam que a instalação dos telões poderia abrir precedentes para flexibilizações consideradas prejudiciais ao patrimônio arquitetônico e à identidade visual da cidade.
Na decisão, a magistrada determinou que a prefeitura apresente documentos técnicos, pareceres e registros completos da aprovação do projeto. A administração municipal ainda poderá recorrer da decisão judicial.
