Mais de 100 organizações defendem o fim do patrocínio de bebidas açucaradas em competições da Fifa e apontam impactos na saúde pública.
Uma coalizão formada por mais de 100 organizações da sociedade civil lançou uma campanha internacional pedindo que a Federação Internacional de Futebol (Fifa) deixe de aceitar publicidade e patrocínio de fabricantes de refrigerantes em suas competições. A mobilização, batizada de “Tirem o Refrigerante de Campo”, ganhou força durante a reta final da Copa do Mundo de 2026 e pretende convencer a entidade a não renovar contratos com empresas do setor de bebidas açucaradas.
A iniciativa reúne entidades de diversos países, incluindo oito organizações brasileiras, entre elas o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável. Os participantes argumentam que a associação entre grandes eventos esportivos e marcas de refrigerantes transmite uma mensagem contraditória, já que o futebol incentiva hábitos saudáveis, enquanto o consumo frequente de bebidas açucaradas está relacionado ao aumento de casos de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e outros problemas crônicos de saúde.
Segundo os organizadores da campanha, a Fifa possui alcance global e influencia milhões de crianças e adolescentes. Por isso, a permanência desse tipo de publicidade durante a Copa do Mundo é vista como um fator que fortalece estratégias de marketing voltadas ao público jovem. A coalizão pede que a entidade adote critérios de patrocínio semelhantes aos utilizados para restringir a promoção de produtos considerados prejudiciais à saúde, priorizando empresas alinhadas com políticas de alimentação saudável e bem-estar.
A Coca-Cola, parceira histórica da Fifa há várias décadas, é uma das patrocinadoras citadas na mobilização. Até o momento, a entidade máxima do futebol não anunciou mudanças em sua política comercial nem comentou oficialmente o pedido das organizações. Os ativistas afirmam que continuarão promovendo ações e debates para que futuras edições da Copa do Mundo tenham um modelo de patrocínio compatível com os princípios de promoção da saúde pública.
A discussão também tem ampliado o debate sobre outros tipos de publicidade no esporte. Organizações que defendem regras mais rígidas para a promoção de alimentos ultraprocessados afirmam que o mesmo princípio pode ser aplicado aos anúncios de apostas esportivas, as chamadas bets, cuja presença em campeonatos, clubes e transmissões esportivas cresceu significativamente nos últimos anos. Especialistas em saúde pública e proteção ao consumidor defendem que a Fifa e outras entidades esportivas avaliem critérios mais rigorosos para a escolha de patrocinadores, considerando os possíveis impactos dessas campanhas sobre crianças, adolescentes e outros públicos mais vulneráveis.
