O ex-presidente Jair Bolsonaro declarou nesta terça-feira (10/06/2025) perante o Supremo Tribunal Federal (STF) que em nenhum momento seu governo discutiu ou planejou um golpe de Estado para reverter o resultado das eleições de 2022. Em depoimento conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro classificou essa hipótese como “abominável” e destacou que a ideia chegou a ser cogitada por alguns aliados, mas foi descartada por falta de “clima” político e respaldo constitucional.
O ex-presidente admitiu ter participado de encontros com líderes militares após a derrota eleitoral, para discutir eventuais “alternativas” legais, mas garantiu que todos os planos foram abandonados por não atenderem aos critérios constitucionais . Ele negou também qualquer tentativa de manusear minutas golpistas – documentos que teriam sido elaborados com sugestões de estado de sítio e prisão de ministros – afirmando que “não teve cabeçalho nem fecho” e que jamais autorizou ou editou tais textos.
Ainda durante o interrogatório, Bolsonaro pediu desculpas ao STF e ao ministro Moraes pelas declarações caluniosas nas quais acusou juízes de receber “dinheiro” para fraudar o processo eleitoral. Reconheceu que se tratava de retórica política e que não existia prova que sustentasse essas acusações .
Apesar da retratação, manteve críticas ao sistema de votação eletrônico. Disse que sempre defendeu a adoção do voto impresso, classificado como uma medida “protetiva” e não como ataque às urnas, reafirmando que suas ações se limitaram ao âmbito da Constituição.
O evento, transmitido ao vivo, teve momentos de leveza: Bolsonaro chegou até a brincar com Alexandre de Moraes no plenário, quando perguntou se o ministro iria ser seu vice em campanha eleitoral de 2026. Ele é réu no processo em que quase uma dezena de pessoas, incluindo militares e assessores próximos, respondem por tentativa de golpe, associação criminosa e danos ao patrimônio público. As decisões do caso devem ser proferidas ainda em 2025, antes das eleições de 2026.
