O governo da China passou a acompanhar com atenção o comportamento e as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL), diante da possibilidade de ele assumir a Presidência da República após as eleições de 2026. Segundo informações obtidas pela CNN Brasil junto a fontes em Pequim, autoridades chinesas estão observando as "falas e práticas" do candidato para avaliar os possíveis efeitos sobre a relação bilateral.

A preocupação chinesa estaria relacionada principalmente à possibilidade de uma política externa brasileira mais próxima dos Estados Unidos e de Donald Trump. Ao mesmo tempo, segundo a reportagem, interlocutores do governo chinês avaliam Flávio como mais pragmático e moderado do que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entre os temas acompanhados por Pequim estão o futuro do Brasil no Brics, a exploração de minerais críticos e as políticas relacionadas à inteligência artificial. O programa de governo de Flávio prevê a retomada do processo de adesão à OCDE, mas não cita o Brics. Em declarações anteriores, o candidato afirmou que pretende reavaliar a permanência brasileira no bloco.

A China também acompanha possíveis mudanças na política comercial. O país asiático é um dos principais parceiros econômicos do Brasil, com forte participação na compra de produtos como soja, petróleo, minério de ferro e carnes. Em 2025, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja brasileira, segundo dados citados pela CNN.

Apesar das possíveis mudanças diplomáticas, fontes ouvidas pela emissora afirmam que Pequim não espera impactos imediatos e significativos sobre o comércio. O cenário envolvendo novos investimentos chineses, porém, dependeria da estabilidade das relações políticas entre os dois países.