A educação básica brasileira apresenta avanços em acesso e escolaridade dos professores, mas o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2026 chama atenção para desafios relacionados à formação, à renovação do magistério e à atratividade da carreira docente. A publicação, produzida pelo Todos Pela Educação em parceria com a Fundação Santillana e a Editora Moderna, reúne dados e séries históricas da educação brasileira.
Um dos principais pontos levantados é a redução da participação de estudantes com melhor desempenho no Enem entre os ingressantes em cursos de licenciatura. Em 2024, 14,7% dos novos alunos dessas graduações estavam entre os 20% com maiores notas no exame. Em 2018, esse percentual era de 23,9%, indicando uma redução ao longo do período analisado. Para efeito de comparação, o índice foi de 32,6% em Direito e de 81,2% em Medicina em 2024.
O levantamento também identifica sinais de envelhecimento do quadro docente. Entre 2015 e 2025, o número de professores do Ensino Médio com até 24 anos caiu 31,1%, enquanto a quantidade de docentes com mais de 60 anos mais que dobrou. O cenário coloca em evidência a necessidade de renovação do magistério e de políticas que estimulem a entrada e a permanência de novos profissionais.
Outro ponto de atenção está na formação inicial. Em 2025, somente 20,2% dos concluintes de licenciaturas avaliados pelo Enade e pela Prova Nacional Docente atingiram o nível considerado adequado, enquanto 42,2% ficaram abaixo do nível básico. A diferença aparece também entre modalidades: 53,1% dos concluintes de cursos a distância ficaram abaixo do nível básico, ante 26,1% dos estudantes de cursos presenciais.
Apesar dos desafios, o anuário mostra evolução na escolaridade dos professores da Educação Básica. A parcela de docentes sem graduação caiu de 23,6% em 2015 para 12,3% em 2025. No mesmo período, a proporção de professores com graduação em licenciatura chegou a 84,3%.
A remuneração também aparece entre os temas analisados. Em 2024, o rendimento bruto médio mensal dos profissionais do magistério da rede pública com ensino superior completo foi de R$ 5.481,01, enquanto a média dos demais trabalhadores com a mesma escolaridade chegou a R$ 6.368,97.
O Anuário 2026 ainda aponta que o Brasil possuía, em 2025, 2,4 milhões de professores e 46 milhões de matrículas na Educação Básica. Os dados mostram que, além de ampliar o acesso à escola, o país enfrenta o desafio de garantir formação adequada, valorização profissional e renovação do quadro docente para melhorar a aprendizagem dos estudantes.







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