A atuação política nas redes sociais ganhou ainda mais importância nas eleições de 2026. Para o filósofo e cientista político Marcos Nobre, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), o bolsonarismo mantém uma estrutura digital mais organizada e consolidada do que a existente no campo da esquerda.
A avaliação considera a forma como os grupos políticos utilizam as plataformas digitais para mobilizar apoiadores, ampliar o alcance de mensagens e influenciar o debate público. Segundo Nobre, enquanto a direita bolsonarista desenvolveu uma organização própria nesse ambiente, setores da esquerda ainda atuam de maneira fragmentada.
O pesquisador utiliza o conceito de “Partido Digital Bolsonarista” para explicar essa dinâmica. A estrutura não corresponde a uma legenda formal registrada na Justiça Eleitoral, mas funciona como uma rede de lideranças, influenciadores e apoiadores que compartilham conteúdos, disputam espaço político e ajudam a definir os assuntos em evidência.
Nesse cenário, iniciativas como o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, articulado pelo deputado federal André Janones, representam uma tentativa de fortalecer a mobilização digital da esquerda. Apesar do alcance expressivo, Nobre avalia que uma ação concentrada durante a campanha não equivale a uma organização construída continuamente nas redes sociais.
Para o filósofo, o desafio não se resume à quantidade de seguidores ou ao volume de publicações. A diferença está na capacidade de manter o engajamento, estabelecer conexões entre diferentes grupos e adaptar a comunicação de acordo com as reações do público.
A análise também destaca que a presença nas ruas continua importante. Os encontros presenciais fortalecem os vínculos entre apoiadores e podem ampliar a mobilização nas plataformas digitais.
Na avaliação de Nobre, a campanha eleitoral de 2026 pode representar um momento decisivo para que a esquerda compreenda melhor a dimensão da organização digital da direita e reveja suas estratégias de comunicação política.







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