O possível fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o empregado trabalha seis dias e descansa um, está no centro das discussões sobre mudanças nas relações trabalhistas no Brasil. A proposta busca ampliar o tempo de descanso dos trabalhadores e reduzir a jornada semanal, mas a adoção de um novo regime depende das etapas legais necessárias para que a alteração passe a valer.

A principal dúvida dos trabalhadores é quando a nova jornada começará a ser aplicada. Para responder a essa questão, é importante diferenciar a apresentação de uma proposta, sua aprovação pelo Congresso Nacional, a eventual promulgação de uma emenda constitucional ou sanção de uma lei e a data prevista para o início da vigência.

A existência de um projeto em debate não significa que a escala 6x1 tenha sido automaticamente extinta. Enquanto não houver uma mudança legal válida e aplicável, as empresas devem seguir as regras trabalhistas atualmente em vigor, respeitando os limites de jornada, os períodos de descanso e as disposições previstas na legislação e nos acordos coletivos pertinentes.

Senado aprovou o fim da escala 6x1

O Senado Federal aprovou, em 14 de outubro, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece mudanças na jornada de trabalho. A votação terminou com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, nos dois turnos. Como o texto aprovado pelos senadores manteve a versão que já havia passado pela Câmara dos Deputados, não foi necessária uma nova votação pelos deputados.

Nesta sexta-feira (16), o Congresso Nacional promulgou a emenda constitucional, formalizando a mudança. Com isso, começa a contagem do prazo para a implementação das novas regras.

Quando a nova jornada de trabalho começa a valer?

A implementação será gradual, em duas etapas. Confira as principais datas previstas:

16/12/2026

Primeira etapa

A escala passa a ser de cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial. A jornada máxima semanal cai de 44 para 42 horas.

16/12/2027

Etapa final

A jornada máxima semanal será reduzida de 42 para 40 horas, mantendo dois dias de descanso remunerado por semana.

Datas calculadas a partir da promulgação em 16 de outubro de 2026.

Durante a fase de transição, as empresas precisarão adaptar suas escalas e distribuir as horas de trabalho conforme os novos limites. Quando a jornada de 40 horas semanais estiver plenamente implementada, o limite normal será de oito horas diárias, distribuídas em cinco dias de trabalho.

A mudança prevê redução de salário?

Não. A emenda estabelece a redução da jornada sem diminuição salarial. A proposta também permite que acordos ou convenções coletivas estabeleçam regimes excepcionais de compensação, respeitando as condições previstas no texto constitucional.

Há regras específicas para determinadas situações. Trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública terão prazo de transição de até 12 meses para a adequação, com disposições próprias para contratos atualizados após o período inicial. O texto também prevê tratamento diferenciado para profissionais com diploma de nível superior e remuneração mensal igual ou superior a 2,5 vezes o teto dos benefícios do INSS, conforme os critérios estabelecidos na emenda.


A expectativa é que a mudança amplie o tempo disponível para descanso, convivência familiar, lazer e qualificação profissional. A implementação, no entanto, exigirá ajustes na organização das empresas e no planejamento das escalas, especialmente em setores que funcionam aos fins de semana e feriados.