A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), foi comemorada por trabalhadores que esperam conquistar mais tempo para a família, o lazer e o descanso. Apesar da repercussão positiva, economistas alertam que a mudança também poderá trazer desafios para empresas, consumidores e para o mercado de trabalho brasileiro.
A proposta aprovada prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, além da adoção de dois dias de descanso para cada cinco dias trabalhados. A implementação será gradual, começando após a promulgação da emenda constitucional.
Entre as principais preocupações dos especialistas está o aumento dos custos operacionais das empresas. Com menos horas disponíveis de trabalho e a manutenção dos salários, alguns negócios poderão precisar contratar mais funcionários para manter o funcionamento e atender à demanda dos clientes.
Esse cenário pode afetar especialmente setores como comércio, restaurantes, hotéis e serviços, que dependem de equipes em atividade durante boa parte do dia e da semana. Para compensar as despesas adicionais, empresas poderão reajustar preços, reduzindo parte do poder de compra dos consumidores.
Economistas apontam risco de informalidade
Outro ponto de atenção é a possibilidade de crescimento do trabalho informal. Segundo especialistas ouvidos pela CNN Brasil, empresas com dificuldades para absorver os novos custos poderão reduzir contratações com carteira assinada, recorrer a vínculos informais ou reorganizar suas equipes para manter a operação. Os trabalhadores com menor qualificação e maior dificuldade de acesso ao emprego formal podem ser os mais afetados.
O economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que a baixa produtividade brasileira dificulta a redução da jornada sem impactos sobre os custos. A preocupação é que o valor por hora trabalhada aumente sem que haja um avanço equivalente na produção das empresas.
Nesse contexto, a renda mensal e o poder de compra dos trabalhadores poderão sofrer efeitos indiretos, mesmo com a garantia de manutenção dos salários prevista na proposta. Isso poderá ocorrer caso haja aumento dos preços, redução de oportunidades formais ou mudanças nas formas de contratação.
Mudança também pode trazer benefícios
Apesar das preocupações econômicas, o fim da escala 6x1 representa uma mudança importante para milhões de brasileiros. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que 26,8 milhões de trabalhadores poderão ser beneficiados pela redução da jornada máxima para 40 horas semanais.A ampliação do tempo de descanso pode contribuir para melhorar a convivência familiar, permitir a realização de cursos e facilitar o acesso a atividades de lazer. Além disso, trabalhadores menos sobrecarregados podem apresentar melhorias na saúde e nas condições de trabalho.
Os resultados, entretanto, dependerão da capacidade de adaptação das empresas e da evolução da produtividade. A redução da jornada não significa, necessariamente, que haverá perda de empregos ou aumento da inflação, mas esses são riscos apontados por parte dos economistas.
Com a aprovação no Senado, o próximo passo é a promulgação da emenda constitucional. A transição prevista estabelece inicialmente uma jornada de 42 horas semanais e, posteriormente, a redução para 40 horas, mantendo a escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso como regra geral.
O desafio será garantir que os benefícios sociais da mudança sejam acompanhados por medidas capazes de preservar empregos formais, controlar os custos e evitar que o aumento de despesas seja transferido integralmente aos consumidores.







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