O Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspendeu, na segunda-feira (21), a análise do dissídio coletivo envolvendo a greve nacional dos trabalhadores dos Correios. A sessão, que havia sido prevista inicialmente para definir os rumos da paralisação, será retomada na quinta-feira (24), às 15h30. A decisão prolonga o impasse entre a empresa e os empregados, que estão em greve desde 10 de setembro.
A interrupção do julgamento ocorreu depois que os Correios apresentaram novos documentos no processo, incluindo informações relacionadas ao pedido para que a greve seja considerada abusiva. O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, determinou que as entidades sindicais tenham prazo de 48 horas para analisar e se manifestar sobre o material apresentado antes da continuidade do julgamento.
"Os documentos foram juntados na sexta à noite e no sábado. Não houve controvérsia sobre os documentos. Nós estaríamos em desapreço ao devido processo legal, porque estaríamos fundamentando uma decisão em documentos não examinados pela parte contrária", justificou o ministro.
A greve começou depois que as negociações entre os trabalhadores e a estatal para o novo acordo coletivo terminaram sem consenso. Um dos principais pontos de divergência está relacionado ao CorreiosSaúde. Os trabalhadores contestam a proposta de alteração do papel da empresa na administração do plano, que passaria de mantenedora para patrocinadora. Segundo as entidades sindicais, a mudança pode trazer impactos sobre os custos e as condições oferecidas aos empregados, aposentados e dependentes.
Outro ponto de discussão envolve a proposta de reajuste salarial apresentada pela empresa. Na fase inicial das negociações, os sindicatos rejeitaram uma oferta de 0,87% e defenderam uma recomposição salarial compatível com a inflação, além de ganho real. A categoria também possui outras reivindicações relacionadas a benefícios, adicionais e regras trabalhistas.
Durante a paralisação, o TST determinou que pelo menos 80% do efetivo dos Correios permaneça trabalhando em cada unidade. A decisão levou em consideração a natureza essencial dos serviços prestados pela estatal e os possíveis impactos da paralisação durante o período eleitoral de 2026.
Os Correios informaram que adotaram medidas para reduzir os efeitos da greve sobre as operações, incluindo remanejamento de veículos, mobilização de empregados administrativos e realização de mutirões. Mesmo com a manutenção de parte da estrutura em funcionamento, consumidores podem enfrentar alterações nos prazos de entrega e devem acompanhar o rastreamento de suas encomendas pelos canais oficiais da empresa.
Com a retomada do julgamento prevista para quinta-feira, o TST deverá analisar os pontos relacionados ao dissídio coletivo e os questionamentos apresentados no processo. Até uma nova decisão, a paralisação permanece em curso e as regras determinadas anteriormente pela Justiça continuam valendo.







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