O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, registrou uma das maiores altas de sua história na segunda-feira (5), no primeiro pregão após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. O indicador avançou 7,70% e terminou o dia aos 206.911,89 pontos, estabelecendo um novo recorde de fechamento. Durante a sessão, chegou a 209.605,70 pontos, também a maior marca intradiária já registrada.
A valorização superou o desempenho observado após o primeiro turno de 2022. Segundo levantamento da Elos Ayta, naquele ano o Ibovespa havia avançado 5,54% no pregão seguinte à votação. Com a alta de 2026, a Bolsa registrou uma diferença de 2,16 pontos percentuais em relação ao recorde anterior para esse período eleitoral.
O movimento foi acompanhado por uma forte valorização dos ativos brasileiros. O resultado eleitoral, que colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, provocou uma mudança nas expectativas dos investidores sobre a condução da política econômica a partir de 2027. Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%.
Entre os principais fatores considerados pelo mercado está a possibilidade de uma política fiscal mais rigorosa e de avanços em medidas consideradas favoráveis ao ambiente empresarial. A composição do Congresso também entrou na avaliação dos investidores, que passaram a projetar maior espaço para reformas e medidas econômicas caso o cenário político se confirme no segundo turno.
A reação, contudo, não foi uniforme entre as empresas. Companhias mais sensíveis aos juros e à atividade econômica doméstica estiveram entre os principais destaques positivos. O BTG Pactual subiu 22,52%, enquanto o Banco do Brasil avançou 11% e o Bradesco teve alta de 13,57%. A B3 também teve forte valorização, superior a 22%.
No varejo, Magazine Luiza teve alta de 24,18%, enquanto empresas dos setores de construção e consumo também foram beneficiadas pela queda das taxas de juros futuros. A interpretação predominante é que juros menores podem melhorar as condições de crédito e favorecer companhias que dependem mais do consumo interno.
Na direção contrária, algumas empresas exportadoras sofreram com a forte valorização do real diante do dólar. Suzano caiu 5,39% e Embraer recuou 3,31%. A Vale também fechou em baixa, mostrando que o movimento de alta não atingiu de maneira uniforme todos os segmentos da Bolsa.
O dólar comercial, por sua vez, recuou 4,13% na segunda-feira e terminou cotado a R$ 5,001, refletindo a reação positiva dos investidores aos resultados das urnas. No exterior, ativos brasileiros também registraram ganhos expressivos, reforçando a intensidade da reação ao cenário eleitoral.
Instituições financeiras internacionais também passaram a demonstrar maior otimismo com os ativos brasileiros. O JPMorgan elevou a recomendação para as ações do país e classificou o mercado brasileiro como uma oportunidade relevante entre os países da América Latina. O Morgan Stanley também projetou espaço para valorização da Bolsa, embora tenha ressaltado que o cenário dependerá da evolução das políticas econômicas.
Apesar da forte alta, analistas alertam que o resultado de apenas um pregão não define a trajetória do mercado até o fim das eleições. A disputa do segundo turno, marcada para 25 de outubro, ainda poderá provocar novas oscilações conforme os candidatos apresentem propostas econômicas, formem alianças e sinalizem suas prioridades para um eventual governo.
Na terça-feira (6), o Ibovespa recuou 0,47%, aos 205.942 pontos, em um movimento interpretado como realização de lucros após a disparada do dia anterior. O mercado agora acompanha as próximas declarações dos candidatos e, principalmente, as sinalizações relacionadas às contas públicas e à política econômica.
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