Uma antiga área de mineração de tungstênio no Rio Grande do Norte, explorada durante o período da Segunda Guerra Mundial, voltou ao radar do setor mineral. A empresa australiana Gold Mountain garantiu o direito exclusivo de avaliar a possível aquisição do projeto Malhada do Angico, localizado na região do Seridó, nas proximidades de Parelhas. A área possui aproximadamente 857 hectares.
O projeto tem relevância histórica por estar associado à exploração de scheelita, mineral que contém tungstênio e que ganhou importância estratégica durante conflitos internacionais. O tungstênio é utilizado na fabricação de ligas metálicas de alta resistência e em aços especiais, além de possuir aplicações em segmentos considerados estratégicos, como defesa, indústria aeroespacial e semicondutores.
De acordo com as informações divulgadas pela empresa, a antiga operação foi conduzida pela Mineração Fluminense durante a Segunda Guerra Mundial. O minério era extraído e beneficiado na própria região. Décadas depois, a possibilidade de retomada da atividade ocorre em um cenário de valorização internacional do tungstênio e de preocupação de países ocidentais em relação à concentração da produção mundial na China.
A Gold Mountain ainda não adquiriu definitivamente o empreendimento. O acordo firmado com a Emprogeo Mining Business EPP garante à companhia australiana um período de 12 meses de exclusividade para realizar avaliações técnicas, jurídicas e regulatórias. Pelo direito de exclusividade, a empresa já desembolsou R$ 1 milhão. Caso as etapas previstas avancem, outros R$ 2 milhões poderão ser pagos, elevando o valor potencial da operação para R$ 3 milhões.
A continuidade do negócio também depende de decisões da Agência Nacional de Mineração (ANM). Um dos pagamentos previstos está condicionado a uma manifestação favorável sobre o Relatório Final de Pesquisa apresentado em 2016. Outra parcela depende da autorização para transferência dos direitos minerários para a companhia australiana.
Enquanto analisa a possível aquisição, a empresa já iniciou trabalhos de exploração. Perfurações com trado estão sendo realizadas nos rejeitos deixados pela antiga atividade para verificar a concentração de tungstênio, a espessura do material e coletar amostras destinadas a testes metalúrgicos.
Também está prevista uma campanha de sondagem diamantada para investigar a existência e a continuidade da mineralização em áreas próximas às antigas frentes de lavra. O programa deverá alcançar aproximadamente dois quilômetros de extensão e profundidades de até 120 metros, mas dependerá da obtenção das licenças ambientais e demais autorizações necessárias.
“Estamos acelerando o programa de exploração e iniciaremos a perfuração assim que as licenças necessárias forem obtidas”, afirmou David Evans, diretor-executivo da Gold Mountain.
A possível retomada ocorre em uma região que possui longa tradição na produção de scheelita. Documentos históricos da Agência Nacional de Mineração registram a importância do tungstênio para a economia mineral potiguar e mostram que antigas minas do Seridó enfrentaram períodos de paralisação devido às mudanças no mercado internacional e à concorrência da produção chinesa.
Caso os novos estudos confirmem reservas economicamente viáveis e todas as exigências regulatórias sejam atendidas, a antiga área de Malhada do Angico poderá voltar a integrar a atividade mineral do Rio Grande do Norte, quase oito décadas depois de sua exploração durante a Segunda Guerra Mundial.







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