A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou, nesta segunda-feira (12), operações com aviões militares KC-390 Millennium para reforçar o combate aos incêndios florestais no Amazonas. A mobilização ocorre em meio ao aumento expressivo dos focos de fogo e à situação de emergência reconhecida em 36 municípios do estado.
Uma das aeronaves foi equipada com o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios, tecnologia que permite lançar até 12 mil litros de água pressurizada em uma única operação. O segundo avião presta apoio logístico à missão, transportando materiais e equipamentos necessários para o trabalho das equipes.
De acordo com informações divulgadas pela FAB, a primeira etapa da operação envolveu um sobrevoo para localizar os focos de incêndio e ajustar os parâmetros do sistema. Em seguida, a aeronave realizou o lançamento de água sobre a área atingida. A previsão é de três lançamentos por dia, enquanto houver necessidade operacional.
Tecnologia auxilia no combate às queimadas
O emprego do KC-390 amplia a capacidade de resposta das autoridades diante dos incêndios em áreas de difícil acesso. O sistema permite ajustar os lançamentos conforme a localização das chamas, considerando fatores como o deslocamento do fogo e as condições encontradas durante o voo.
A operação também exige uma estrutura de apoio em terra para abastecer a aeronave e preparar as missões seguintes. Segundo a FAB, equipes trabalham de forma integrada para manter a capacidade operacional e direcionar os recursos aos locais prioritários.
Além dos aviões militares, o governo federal mobilizou outras aeronaves, incluindo modelos Air Tractor e helicópteros, além de brigadistas que atuam diretamente no combate às chamas.
Amazonas registra aumento expressivo de incêndios
O cenário preocupa as autoridades ambientais. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Amazonas registrou 540 novos focos de incêndio entre sábado (10) e domingo (11). Somente no sábado, foram identificados 494 focos, o maior número diário registrado no estado desde o início de outubro, conforme o levantamento divulgado pela Agência Brasil.
A fumaça provocada pelas queimadas também compromete a qualidade do ar e representa riscos à saúde da população, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. Em Manaus, a Defesa Civil emitiu alerta relacionado aos efeitos da poluição atmosférica.
Diante da gravidade da situação, os governos federal e estadual intensificaram a articulação para ampliar as ações de combate, monitoramento e assistência às comunidades afetadas.
Força-tarefa reúne aeronaves e brigadistas
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou que o governo federal disponibilizou 11 aeronaves para as operações no Amazonas. A estrutura inclui aviões destinados ao lançamento de água, helicópteros para apoio em áreas de acesso complicado e uma aeronave voltada ao transporte de materiais.
A mobilização também conta com 290 brigadistas federais, que atuam em conjunto com os órgãos responsáveis pelo enfrentamento dos incêndios. O objetivo é reduzir a propagação das chamas, proteger áreas florestais e minimizar os impactos sobre a população.
O governo também prevê assistência humanitária aos moradores atingidos, incluindo apoio com itens essenciais, transporte e atendimento às necessidades emergenciais.
Investigação e prevenção também são prioridades
Além de apagar os incêndios em andamento, as autoridades destacam a necessidade de investigar as causas das ocorrências e responsabilizar eventuais autores de queimadas criminosas. O uso irregular do fogo pode contribuir para a destruição da vegetação, o avanço do desmatamento e a deterioração da qualidade do ar.
A combinação entre monitoramento por satélite, fiscalização, brigadas terrestres e operações aéreas é considerada fundamental para enfrentar o problema. A continuidade das ações dependerá das condições encontradas em campo, da evolução dos focos e das necessidades operacionais.
Com o reforço dos aviões militares, a expectativa é ampliar a capacidade de combate às queimadas no Amazonas e acelerar as medidas de proteção ambiental e de atendimento às comunidades afetadas.







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